Juventude em frascos

Dermocosméticos utilizados para retardar os efeitos do tempo ganham cada vez mais espaço na prateleira das consumidoras brasileiras

Por Lucie Ferreira

A pele reflete tudo o que acontece em nosso corpo, como o passar dos anos, os períodos de estresse e a alimentação. Mas a idade é o fator que influencia a aparência, pois conforme envelhecemos o organismo sofre uma série de mudanças. “Após os 30 anos, a pele perde 1% de colágeno ao ano. Na menopausa, a perda média anual é de 2%”, conta o nutrólogo Antonio Elias de Oliveira Filho, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), durante palestra do XIII Congresso Brasileiro de Nutrologia.

Os principais fatores de envelhecimento cutâneo relacionados à idade são redução na produção dos hormônios do crescimento, dos hormônios tireoidianos (essenciais para as funções metabólicas dos tecidos) e do estrogênio. “Com a queda na produção de estrogênio, a pele tende a ficar mais seca e flácida, pois o organismo diminui também a produção do colágeno”, explica a médica Denise Steiner, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A flacidez é a alteração de pele mais difícil de ser tratada e ocorre quando a fibra perde a elasticidade, surgindo principalmente no rosto, no pescoço e nas mãos.

A oxidação é outra causa relacionada aos efeitos do tempo nesse órgão. “A pele sempre oxida, e o envelhecimento leva a um grau maior de oxidação e formação de radicais livres, que a agridem”, comenta a dermatologista. Para combatê-los, a pele conta com enzimas antioxidantes.

Com o passar dos anos e nossa pele exposta ao sol, os danos se acumulam caso não seja utilizada a proteção adequada, negligência que leva ao fotoenvelhecimento. Nas mulheres, as principais regiões acometidas por esse fator são rosto, pescoço, mãos e colo. Denise Steiner revela que, em uma mulher de 70 anos, os efeitos nocivos da exposição solar são maiores no rosto do que na região dos seios, pois a incidência de raios ultravioleta na face é mais direta e frequente.

Tecnologia a serviço da beleza

Uma vez que a pele não rejuvenesce, a possibilidade de mantê-la jovem e saudável é retardando o processo de envelhecimento. Para isso, a indústria cosmética desenvolve anti-idades visando atender às necessidades específicas de cada pessoa, como o tipo de pele, a idade, a sensibilidade da cútis e os hábitos.

Por exemplo, conforme a quantidade de cigarros consumidos pelo fumante e a frequência de exposição ao sol, o envelhecimento se torna mais acentuado. Por isso, Denise Steiner recomenda que o tratamento seja individualizado e leve em consideração todas as peculiaridades da pele da paciente antes da escolha do anti-idade.

A formulação dos anti-idades vendidos no mercado varia de acordo com o produto, sendo que cada um age de maneira diferente. Os ingredientes mais utilizados nesses cosméticos são o dimetilaminoetanol (DMAE), a coenzima Q 10, o ácido retinoico, o ácido alfa lipoico, o ácido hialurônico, os flavonoides e as vitaminas A e C.

Negócios em alta

De acordo com informações do Euromonitor International, em 2008 o Brasil detinha quase 60% do mercado de cosméticos anti-idade da América Latina. Para 2009, o instituto estima que a categoria tenha crescimento de US$ 1,248 bilhão, ou seja, 11,85% maior do que em 2008.

No mercado mundial da categoria, o País ocupa a 6ª posição. Para o gerente de produto da marca RoC, da Johnson & Johnson, Marcus Savoi, o mercado anti-idade no Brasil é muito promissor, pois, segundo o IMS, movimentou cerca de R$ 80 milhões somente em 2008. Savoi afirma que o canal farma é ótimo para a venda da categoria e, por essa razão, a RoC trabalha exclusivamente nesse meio. “A consumidora que procura um anti-idade busca informações sobre qual é o melhor produto. Ela pesquisa princípios ativos e quer a ajuda de dermoconsultoras. Logo, a farmácia é o local ideal  para a comercialização e divulgação deste tipo de produto. Por isso, os investimentos da marca são focados em ações no ponto de venda e no relacionamento com dermatologistas.”

A RoC mantém uma equipe de treinadoras para levar informação às dermoconsultoras e balconistas de farmácias, colocando à disposição da consumidora, no ponto de venda, profissionais aptas a esclarecer dúvidas sobre os produtos e seus princípios ativos.

Já a diretora de marketing da BDF Nivea Brasil, Maria Laura Santos, apresenta dados da Nielsen para reforçar a importância da categoria, que tem a maior representatividade no mercado de cuidados faciais no País: conforme o estudo Year to Date, entre janeiro e agosto de 2009, os anti-idades representaram 46% em valor e 22% em volume, crescendo 34% no acumulado. “O desempenho reflete a preocupação cada vez maior dos brasileiros em manter a beleza e jovialidade da pele”, completa a diretora. Para auxiliar os consumidores, a empresa oferece Serviço de Atendimento ao Consumidor com equipe treinada para responder às dúvidas sobre linhas de produtos.

Segundo a diretora da La Roche-Posay, do grupo L’Oréal, Caroline Collier, o mercado antirruga é muito promissor, pois os dermocosméticos são usados como complementos terapêuticos em tratamentos dermatológicos. Ela conta que a categoria é relativamente nova no País, presente nas farmácias há apenas oito anos. Para auxiliar a cliente interessada, Caroline também destaca a importância da dermoconsultora no ponto de venda. “É fundamental as lojas conhecerem nossos produtos e saberem o que o consumidor e o dermatologista estão solicitando. O treinamento também ganha importância para atender o cliente que não chega às marcas via prescrição médica, sendo indispensável uma boa orientação quanto ao produto indicado para sua necessidade.”

Perfil das consumidoras

O Projeto DermaBrasil, uma parceria entre a indústria farmacêutica brasileira TheraSkin e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, avaliou que 13,9% da população usa cosméticos anti-idade, sendo a grande maioria mulheres acima dos 26 anos. E ainda, 30,2% do total das entrevistadas consideram as rugas um dos principais problemas de pele, índice que sobe para 52,9% se a faixa etária for de 46 a 55 anos.

A precocidade com que as consumidoras encaram o surgimento das rugas é levada em consideração pelas marcas. “As mulheres estão cada vez mais cedo buscando produtos que retardem o envelhecimento precoce da pele. Produtos com tecnologia avançada e loções mais leves e rapidamente absorvidas pela pele são as preferidas entre as brasileiras”, observa Maria Laura Santos, da BDF Nivea Brasil.

De acordo com a RoC, a idade média das mulheres preocupadas com o envelhecimento precoce da pele diminui com o tempo, e os cosméticos da marca são posicionados para a consumidora acima dos 30 anos. A L’Oréal afirma que as consumidoras da categoria são bastante exigentes quanto à textura e cosmética dos produtos, cujos resultados têm a eficiência comprovada por estudos clínicos.

A Vichy e a La Roche-Posay, ambas da L’Oréal, têm linhas completas para pessoas acima de 50 anos, como NeOvadiol e Substiane. “Esta é a prova de que a Divisão Cosmética Ativa se preocupa com as rugas mais profundas e já atende às necessidades de mulheres a partir dos 50 anos”, justifica Caroline Collier.

É importante ressaltar que os cosméticos anti-idade são de uso contínuo, por isso, ao parar de usá-los, a pele não mantém os resultados obtidos até então. Mas a dermatologista Denise Steiner adverte: “A pessoa que nunca usou nada fica com a aparência mais envelhecida do que aquela que fez o tratamento durante um tempo, mas parou”.

Bom atendimento é essencial

Segundo o Projeto DermaBrasil, 21,2% dos adeptos de cosméticos anti-idades utilizam o produto escolhido por indicação do vendedor. Portanto, a presença de dermoconsultoras no ponto de venda é essencial para a cliente interessada na categoria.

“Para um consumidor que chega à farmácia sem a prescrição médica, é fundamental entender sua necessidade, o que ele busca para melhorar a qualidade da pele. Por isso, é importante identificar qual o tipo de pele para selecionar a textura adequada”, revela a diretora da La Roche-Posay, Caroline Collier.

“Ao buscar um anti-idade adequado para sua pele, a consumidora procura informações sobre qual o melhor produto, os princípios ativos e a marca”, destaca o gerente de produto da ROC, Marcus Savoi. Confira outras dicas:
Dispor de materiais informativos adequados;
Oferecer atendimento personalizado, esclarecedor e objetivo, com o máximo de informações sobre o produto, a composição e os efeitos;
Contar com dermoconsultoras bem treinadas e que ajudem a cliente no processo de escolha;
Garantir ambientação adequada, uma vez que a cliente pode ter dúvidas para escolher a melhor opção para seu tipo de pele e necessidade;
Disponibilizar testers (produtos disponíveis para teste) para que o consumidor experimente a textura e a fragrância do produto antes de efetuar a compra;
Reforçar cuidados complementares, como a higiene e sobretudo a proteção solar, para prevenir o envelhecimento.

Fontes: RoC, L’Oréal e Nivea.

*Reportagem publicada na revista HPC Essencial (setembro/2009)

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