Sobre fotografia e história

Quando estive na Nova Zelândia, não saltei de bungy jump ou de paraquedas (atividades que 99% dos brasileiros fazem), mas visitei museus e galerias de arte. Não fui a destinos óbvios como Queenstown (embora quisesse ir para lá, mas é caro), porém visitei Wellington, a capital política e cultural. Enfim, fiz o que gosto de fazer e visitei a maioria das cidades que tinha planejado ir e outras cuja oportunidade surgiu posteriormente.

Das exposições, duas me marcaram muito, sendo que visitei ambas em Christchurch num mesmo dia – um domingo pré-feriado neozelandês do Dia do Trabalho. A primeira se refere à exibição de esculturas do australiano Ron Mueck (escrevi sobre ela aqui), enquanto a segunda são fotografias de expedições à Antártida no início do século XX.

Embora as obras de Ron Mueck sejam impressionantes, foi a exibição The Heart of the Great Alone: Scott, Shackleton & Antarctic Photography, no Museu de Canterbury, que me marcou ainda mais. Por um lado, sou fotógrafa por hobby e aprecio muito a fotografia como arte. Por outro, adoro história, ainda mais sobre temas não explorados em instituições de ensino brasileiras. Logo, essa exposição trouxe dois assuntos fundamentais para mim.

No começo da exibição, o visitante conhece a história da expedição Terra Nova (1910-13), liderada pelo Capitão Robert Falcon Scott, que almejava levar os britânicos a serem os primeiros a alcançar o Polo Sul. Apesar de terem conseguido chegar ao destino, ainda que tenha sido depois do grupo liderado pelo norueguês Roald Amundsen, todo o esforço resultou em um fim trágico, retratado por fotos que mostram desde o otimismo inicial dos exploradores aos últimos momentos, de frio e de fome. É realmente uma história que emociona.

Em seguida, registros do fotógrafo australiano Frank Hurley durante a expedição Endurance (1914-16), liderada pelo explorador irlandês Sir Ernest Shackleton, são vistos como obras-primas da fotografia e impressionam por serem quadros magníficos que utilizaram técnicas e equipamentos hoje considerados rudimentares, sem mencionar as dificuldades em realizar esse tipo de trabalho em um ambiente hostil como a Antártida.

Além de fotografia, a exposição exibe documentos, relatos e objetos relacionados às primeiras expedições britânicas ao mais intrigante dos continentes. O amor e o respeito ao Império Britânico levou muitos à morte, mas jamais ao esquecimento: a lembrança de seus esforços e realizações está gravada e perdura por décadas.

Perto do fim: membros da expedição Terra Nova no Polo Sul Créd. AP Photo/Cambridge University

*Texto publicado no blog pessoal Garota no hall e reproduzido no Paperblog (dezembro/2010)

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