Biografia não autorizada

Conheça a história e os pioneiros do bolinho pequeno no tamanho e grande no sabor

Texto Lucie Ferreira

Eles são pequenos, delicados, saborosos e vistosos. Quem pensa que o cupcakes são uma invenção contemporânea, está enganado: em 1796, a norte-americana Amelia Simmons indicou no livro American Cookery “um bolo leve para assar em pequenas xícaras”. Portanto, mais de dois séculos antes da série Sex and the City colaborar para tornar a sobremesa uma mania nos Estados Unidos, a receita surgia de modo arcaico.”O cupcake é a distorção de um muffin, que é muito seco, enquanto ele é mais úmido”, comenta o proprietário da Vintage Cupcakes, Gustavo Lacerda. Segundo ele, os bolinhos como conhecemos hoje são uma variação dos fairy cakes ingleses.

No século 18, pequenos bolos assados em porções individuais eram um tanto quanto populares. As receitas evoluíram de bolos de frutas leves, bastante comuns na Inglaterra, conhecidos como queen cakes. De acordo com o site The Food Timeline, existem duas teorias sobre o surgimento do cupcake. A primeira delas é que o nome (em tradução livre, “bolo de xícara”) deriva do meio utilizado para medir a quantidade de ingredientes para fazê-lo, tal qual uma xícara de farinha, uma xícara de manteiga e por aí vai. A segunda explicação defende que receberam esse nome por serem assados em xícaras.

Ambas a teorias são aceitas pelos historiadores de culinária e gastronomia, como o britânico Alan Davidson. Ele menciona na obra The Oxford Companion to Food a receita do White Cup Cake, de Eliza Leslie, como a primeira a ser impressa, em 1828. “Os principais ingredientes são uma xícara de café grande de creme de leite ou leite integral (melhor se estiver coalhado), uma xícara de manteiga, duas xícaras de açúcar e quatro xícaras de farinha. A mistura preparada deve, ser assada em ‘latinhas’”, cita Davidson.

Delícia americana

Considerado pelos norte-americanos uma de suas primeiras contribuições culinárias para o mundo, o cupcake é também uma das mais refinadas. Embora o verdadeiro inventor da receita seja desconhecido – afinal, publicar não é o mesmo que criar –, a guloseima foi patenteada pela Hostess em 1919, ano que marca o final da Primeira Grande Gerra. A empresa, que até hoje fabrica o clássico bolinho, investiu na comercialização de embalagens individuais, contendo um cupcake e, na década de 1950, incluiu o recheio de baunilha na versão clássica de chocolate. Resultado: o novo produto passou a vender 25% mais do que o tradicional.

De acoudo com a autora do livro Crazy about cupcakes, Krystina Castella, de Los Angeles, Estados Unidos, os bolinhos nunca foram tão populares como hoje. “Tradicionalmente, eles têm sido feitos para crianças em sabores básicos. Atualmente, o cupcake se tounou gourmet e é divertido, moderno e glamouroso”, comenta. Nos Estados Unidos, a popularização do doce se reflete nos milhares de blogs dedicados ao assunto e nas confeitarias especializadas espalhadas pelo país.

Muitos dão ao seriado Sex and the City o crédito de tornar os cupcakes uma tendência, como fez com os sapatos de Manolo Blahnik. Tudo por causa de um episódio da terceira temporada, que foi ao ar em 2000, no qual Carie e Miranda resolvem desabafar sobre a vida amorosa e dar uma paradinha na Magnolia Bakery para saborear o doce. Desde então, a confeitaria localizada no número 41 da Bleeker Street, em Nova Iorque, se tornou tão popular que precisou contratar segurança.

Inaugurada em 1996, a Magnolia Bakery foi vendida em 2007 e atualmente conta com seis lojas, inclusive uma em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Embora seja clara a influência da série para o sucesso da confeitaria, que também comercializa bolos, outros experts no assunto apontam o fato de o cupcake ser uma porção individual: isso faz com que pessoas em dieta, por exemplo, tenham um controle maior do que comem. Além disso, não é preciso dividir um bolo de sabor único entre pessoas com preferências diferentes – cada um escolhe a própria sobremesa.

Pegando carona no sucesso da loja nova-iorquina, o casal Candace e Charles Nelson fundou, em 2005, a Sprinkles Cupcakes, considerada a primeira confeitaria só de cupcakes do mundo. A franquia, que já conta com 11 estabelecimentos, tem sua matriz na cidade de Beverly Hills, na Califórnia.

Enquanto isso, no Brasil…

Proprietários da confeitaria Grand Patisserie, em New Milford, no estado norte-americano de Connecticut, Ana Paula e Gustavo Lacerda voltaram ao Brasil com a experiência internacional na bagagem e inauguraram a primeira loja de cupcakes do País: a Vintage Cupcakes. O quiosque inaugural foi aberto em maio de 2009, em Brasília, DF, e atualmente a franquia já conta com 24 pontos localizados em quatro estados, além do Distrito Federal. A previsão é de chegar a 50 lojas até o final de 2011.

Lacerda conta que a Vintage trouxe dos Estados Unidos o conceito de “quanto mais cobertura, melhor”. Porém, adaptou o bolinho para o paladar do brasileiro, substiuindo o buttercream (manteiga batida com açúcar), “presente em 98% dos cupcakes norte-americanos”, por outras opções, como ganache. Por aqui, os produtos da marca são mais altos do que a média nacional, sendo que todos os meses a rede lança uma variedade nova – já criou 118 sabores.

No estado de São Paulo, a Wondercakes é pioneira desde novembro de 2009. Com quatro lojas exclusivas de cupcakes na capital paulista, a administradora Paula Kenan e a chef Marcella Lage pretendem levar a marca para Recife, PE, e Rio de Janeiro, RJ. Porém, com muita cautela para não abrir mão do padrão e da qualidade.

Para trazer a ideia ao Brasil, as sócias também buscaram referências nos Estados Unidos, visitando as famosas Magnolia Bakery, Sprinkles e Kara’s. “A ideia era fazer produtos de primeira, com ingredientes realmente bons, como chocolate belga”, conta Paula. Por isso, ela e Marcella viajaram muito para conhecer o que era feito fora do País. Além dos bolinhos, a arquitetura elegante também teve inspiração internacional. Entretanto, enquanto a rede Sprinkles investe no estilo minimalista, a Wondercakes aposta em uma decoração aconchegante, com itens lúdicos e cores mais fortes.

Algumas receitas foram adaptadas para o gosto do brasileiro. “Agregamos produtos tipicamente nacionais, como brigadeiro e o sabor fubá com goiabada. Já a receita do bolo é tipicamente americana, por exemplo os sabores cenoura, banana e maçã.” A cobertura de buttercream, quando usada, é adaptada ao paladar brasileiro.

Negócio de gente grande

Embora os cupcakes sejam pequenos e remetam a diversão de criança, quem quer ter um negócio especializado deve levá-lo adiante com bastante seriedade. “Muitos encaram como moda. É preciso se especializar e ter a estrutura de uma empresa. Além de entender que, para ter vida longa, o negócio precisa ter organização por trás”, alerta Gustavo, explicando que a Vintage tem um centro de produção em todas as áreas nas quais se instala. “Temos uma estrutura administrativa para dar suporte aos franqueados”, complementa.

E para quem ainda acredita que os bolinhos sejam apenas uma moda passageira no Brasil, Paula dá o recado: “cupcake é um jeitinho diferente de comer um bolo. Foi tendência no passado, mas agora já estabilizou. As pessoas estão mais familiarizadas com esse produto, ele passou a fazer parte do dia a dia da população”.

*Reportagem publicada na Cake Design Cupcakes nº 01

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