Bolos tunados

Conheça o norte-americano Mike Elder, um especialista em carros que ganhou notoriedade na arte em açúcar

Texto Lucie Ferreira

Proprietário da Black Sheep Custom Cakes, Mike Elder é um dos principais nomes da confeitaria artística dos Estados Unidos. Embora o talento como cake designer o tenha tornado campeão no programa de televisão Ultimate Cake Off, o profissional é especialista em carros tunados e já foi piloto de corrida.

Elder esteve em 2011 no Brasil para participar do 5 Concurso Internacional de Confeitaria Artística & Artes em Chocolate, realizado na capital paulista, do qual foi um dos professores e membro do juri. Em entrevista à Cake Design, ele falou sobre a carreira e as tendências para bolos de casamento.

Cake Design: Quando você decidiu que queria ser cake designer?

Mike Elder: Eu tinha uma loja automotiva, de veículos tunados, nos Estados Unidos, e nunca tive a intenção de ser decorador de bolo. Minha mãe tinha uma loja e comecei a ajudar quando ela ficava muito ocupada, algo que não fazia pelo dinheiro, mas para dar assistência. Conforme as pessoas viam meu trabalho, começaram a fazer pedidos e, finalmente, fiquei tão ocupado fazendo isso a ponto de não poder mais ter a loja de carros tunados.

CD: O que é mais gratificante no seu trabalho?

Elder: Eu acho que o melhor desses trabalhos com bolo e açúcar em geral é a celebração, ao contrário do segmento automotivo, no qual você não participa da comemoração com seu cliente. É disso que gosto em meu trabalho.

CD: E quando seu cliente diz que é o bolo mais fantástico que já viu e o elogia?

Elder: Sim, essa é definitivamente a parte recompensadora. É sempre legal, especialmente para mim, pois a gente não faz especificamente aquilo que as pessoas pedem: muitas vezes, elas me deixam livre para criar, então nunca veem o que estou fazendo até a entrega. E é divertido ver a surpresa e a alegria delas.

CD: Quem são os profissionais que o inspiram?

Elder: Essa é difícil. Há muitos artistas de açúcar bons de verdade no mundo inteiro, mas aqueles de que gosto mais não têm medo de fazer tudo a seu próprio modo. Eles vão e executam, mas não do jeito o qual supõe-se que todos façam. Eu gosto de qualquer pessoa que trabalhe como quer, e não precisa ser artista de açúcar.

CD: Quais são as maiores dificuldades para quem está começando a carreira em decoração de bolos?

Elder: Muitas vezes, especialmente quando viajo, noto que quem está aprendendo sobre os materiais que podem ser usados (eu sei que no Brasil é diferente do meu país) tem dificuldade para encontrar aqueles de que gosta. O mais difícil é encontrar aquele material com o qual você consegue trabalhar melhor e talvez nem saiba que já existe.

CD: Então você acredita que isso seja mais difícil do que fazer o próprio modelo?

Elder: Essa parte você consegue apenas aprendendo, seja sozinho ou com alguém que lhe ensine, mas a confiança é difícil. Muito do que faço preciso apenas acreditar ser capaz. E ouço muito de quem está começando “Oh, não consigo”, mas se eu posso, eles podem – precisam apenas tentar. A prática não machuca.

CD: Na sua opinião, qual é a importância das competições de decoração de bolos?

Elder: Eu não gosto de disputas. Mas os eventos são bons porque mesmo que você não ganhe ou não compita, necessariamente, tem a oportunidade de ver os trabalhos dos outros. Eu sou muito competitivo, mas o evento também impulsiona: você vai querer fazer mais e melhor.

CD: Sobre bolos de casamento, quais são as últimas tendências?

Elder: Nos Estados Unidos, a tendência é poder fazer o que você ouse e queira. No último fim de semana antes de vir ao Brasil, tive um bolo de casamento com formato de um caminhão de lixo – e era o bolo de verdade da festa. O casal era proprietário de uma empresa que tinha esses veículos e pediu isso para o bolo. Nós fazemos tudo, desde os estilos mais tradicionais. Mas o principal é: tentamos encorajar as noivas a fazer o que sintam ou desejam.

CD: Em vez de branco, quais cores sugere que para bolos de casamento?

Elder: Eu gosto de tudo, menos branco. Não sou fã de branco puro, e se estou fazendo algo nessa tonalidade prefiro que seja mais off-white e marfim. Gostos de cores, não de muitas diferentes. Se você tem dois tons, pode usá-los em um bolo. Acho que um bolo com verde-maçã e azul-claro fica muito bonito.

CD: Quando você começou?

Elder: Eu tenho feito bolos por diversão durante a maior parte da minha vida, mas, profissionalmente, por cerca de quatro anos. Sou sortudo porque meu cérebro trabalha de maneira tridimensional. Sempre fui escultor, apenas nunca em um bolo – e é a coisa mais difícil para esculpir. Madeira e argila são muito melhores.

CD: Por que flores de açúcar fazem tanto sucesso em bolos de casamento?

Elder: Por muitas razões. Algumas flores reis são venenosas, o que muita gente nem imagina. Mas eu acho que é a reação das pessoas quando percebem que não são de verdade. Quero dizer, até mesmo essas aqui [aponta para as flores de açúcar vencedoras do concurso], você olha para elas e não percebe que não são reais. E o melhor é que pode guardá-las por dez anos e ainda estarão assim.

*Reportagem publicada na revista Cake Design nº 08 (2011) 

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