Limpar, cuidar, vacinar

Informação e dedicação são essenciais para que o bebê se desenvolva de forma saudável

Texto Lucie Ferreira

Ao adquirir um aparelho eletrônico, é costume folhear e ler com atenção o manual de instruções, afinal trata-se de um objeto cheio de funções e algumas precauções precisam ser tomadas. Embora um bebê seja totalmente diferente de um equipamento eletroeletrônico, ele também precisa de cuidados para ser alimentado, higienizado, vestido e colocado para dormir. Porém, não existe um manual que abranja todas as especificações: são conhecimentos e informações que os pais adquirem aos poucos, seja com os conselhos de quem já criou filho, com as explicações de médicos e, claro, por meio de leituras esclarecedoras.

Durante a gestação, a mulher se preocupa consigo e com o desenvolvimento saudável do feto. Após o parto, ela se atenta ainda mais à criança, tão pequena, frágil e dependente. Trocar fraldas torna-se uma importante atividade rotineira e dar banho é como um ritual diário para a saúde e o bem-estar do bebê. Porém, além desses cuidados básicos com a higienização, os pais devem considerar outros mais específicos, como o umbigo, a moleira e a vacinação.

Banho

De acordo com a neonatologista Marina Rocha Azevedo, do Hospital Memorial São José, de Recife, PE, a flora bacteriana é comum na pele, independentemente da idade, mas nos bebês é diferente por causa das bactérias entéricas (intestinais). Por isso, é imprescindível que a higienização seja feita a cada troca de fralda para evitar que as impurezas sejam levadas para a banheira na hora do banho. Ela recomenda a utilização de água morna e sabonete líquido neutro que possa ser usado tanto na cabecinha da criança quanto no corpo.

A enfermeira Rosana Dias Machado, responsável pela maternidade do Hospital Albert Sabin, de São Paulo, SP, indica o uso de termômetro de banheira para saber com precisão a temperatura da água, que deve ser ente 36 e 36,5º C. Embora não exista uma estimativa para a duração do banho, os pais devem se atentar aos horários ideais: “pela manhã, para despertá-lo, no final da tarde, para ele relaxar e ter um bom sono.”

Como a pele do bebê é bastante delicada, é importante que o produto usado seja livre de fragrâncias externas para não irritá-la. “Não é recomendável a utilização de talco, colônia etc, principalmente nos primeiros seis meses, pois podem desencadear alergias”, adverte o gerente de enfermagem Rodrigo Checheto, do Hospital Albert Sabin.

Durante o banho, atenção às dobrinhas da pele, região genital e nádegas, não esquecendo de sempre fazer a higienização previamente com sabonete líquido e algodão úmido. Além dos cuidados com a higiene, é importante ter atenção com a segurança do bebê, por isso nunca o deixe sozinho na banheira: ele pode afogar-se mesmo com poucos centímetros de água (de 2,5 a 5 cm). O ideal é colocar a água até a metade da banheira infantil e estar por perto.

Assim como muitas mulheres seguem a moda de cada estação, os bebês também precisam usar roupas adequadas de acordo com a época do ano. É claro que, no caso deles, vaidade e valores estéticos não são a preocupação: o importante é mantê-los confortáveis e protegidos. Checheto indica body para o verão; pagão e mijão para o outono; macacão de manga longa no inverno; e macacão de manga curta na primavera.

Atenção às fraldas

Tão essencial quanto a higienização e o banho, a troca de fraldas não tem uma frequência exata, mas é importante saber que o reflexo gastrocólico dos bebês funciona da seguinte maneira: quando são amamentados, fazem cocô. Por isso, após alimentá-lo, certifique-se de que a fralda precisa ser trocada. Mesmo que a criança não evacue durante o dia todo, troque-a por causa do xixi. Quando for escolher a fralda, a neonatologista sugere dar preferência às descartáveis com floc-gel, pois mantêm os pequenos sequinhos por mais tempo, proporcionando conforto e, consequentemente, protegendo a saúde. É importante destacar que as diferenças anatômicas entre meninos e meninas torna o modo de trocar as fraldas também diferente. Para elas, os cuidados higiênicos devem ser da genitália em direção ao ânus. Além disso, é importante evitar, por exemplo, a utilização do mesmo algodão nas duas regiões, prevenindo, portanto, infecções. No caso dos meninos, não há o mesmo risco, podendo a higienização ser até mesmo no sentido inverso.

Embora as fraldas modernas deixem a pele mais seca e provoquem menos irritação, alguns bebês podem ter alergia por causa do revestimento plástico ou da absorção insuficiente. A opção é adotar os modelos de pano (laváveis e reutilizáveis), que são mais trabalhosos por causa do cuidado redobrado com a limpeza, mas têm preço mais acessível do que os descartáveis e proporcionam contato suave para a pele.

Cuidado do coto umbilical

O pediatra Wilmar Guimarães, do Hospital Maternidade Santa Brígida, de Curitiba, PR, explica que o cordão umbilical estabelece a ligação entre a mãe e o recém-nascido e é cortado entre 5 e 6cm, remanescendo no bebê o coto. “Ele mumifica e seca, caindo até o oitavo dia”, diz o pediatra, que recomenda a limpeza do local com álcool 70% para secar e cair na hora certa. Após a queda do coto, basta manter o umbigo limpo com água e sabonete neutro.

O coto deve ser mantido sempre seco e limpo, mas não pode ser lavado durante o banho. Em caso de infecção do local, consulte o pediatra com urgência, pois, uma vez que o coto é ligado diretamente à corrente sanguínea do bebê, o problema pode se alastrar rapidamente. Para reconhecer os sintomas da infecção, observe se há vermelhidão e inchaço ao redor do umbigo, secreção purulenta e febre.

E o mito de que usar uma moeda ajuda a fechar o umbigo? “Pelo buraquico passam artérias e veia umbilical. E quando o coto cai, os vasos secam e a passagem fecha naturalmente”, desmistifica o médico. Ele observa ainda que se o espaço do buraco do umbigo for maior do que a ponta do dedo indicador, uma cirurgia pode ser necessária algum tempo depois. Porém, se for menor, desaparece.

Observando a moleira

A cabecinha do bebê é tão frágil quanto seu corpo, mas uma peculiaridade se destaca: a moleira. Também conhecida como fontanela, são vários ossos separados entre si, cuja função é permitir o crescimento do cérebro. Elas nunca devem ser pressionadas e se selam por volta do primeiro ano de vida da criança. Já a solidificação total do crânio ocorre por volta dos 7 anos de idade.

Observar se a moleira está mais baixa do que o normal é recomendado pelo pediatra. Por exemplo, quando a fontanela está funda e o bebê tem sintomas como diarreia e vômito, pode ser sinal de falta de líquido, que resulta em desidratação.

Um problema da moleira que pode afetar bebês é a cranioestenose, que consiste no fechamento precoce dos ossos do crânio. Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, a doença é mais comum em meninos, estimando-se um caso de cranioestenose para cada 2 mil crianças nascidas. De acordo com Guimarães, é possível notá-la nas primeiras semanas de vida da criança por causa das deformidades na cabeça. Considerada grave, requer neurocirurgia urgente para ser corrigida.

Vacinar é preciso

A vacinação é um dos cuidados essenciais com a saúde da criança, que logo nos primeiros 30 minutos de nascimento recebe a primeira dose da vacina contra a Hepatite B (a segunda é aplicada um mês depois). Nos primeiros 30 dias, bebês com peso maior do que 2,5 kg recebem também a dose única da BCG-ID, que evita formas graves de tuberculose.

A aplicação desses medicamentos, seja na forma injetável ou oral, estimula a produção de anticorpos para combater possíveis infecções. Para manter os vírus longe, os pais devem seguir rigorosamente o calendário de vacinação, estabelecido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. As vacinas foram escolhidas de acordo com a exposição e predisposição às doenças, que varia conforme a faixa etária da criança. Algumas patologias são graves, como a meningite C e a pneumococo, cujas vacinas, pneumocócica 10-valente e meningocócica, foram incluídas recentemente no calendário instituído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo, portanto, gratuitas.

Para Guimarães, o Ministério da Saúde tem uma postura abrangente sobre a vacinação. Porém, das vacinas incluídas no calendário, o sistema público ainda não disponibiliza a proteção gratuita contra hepatite A e varicela (catapora), atualmente disponíveis apenas em clínicas particulares. Marina explica que é por não serem doenças epidêmicas e acontecerem de forma uniforme, aumentando os registros de casos conforme a época do ano.

Todos esses cuidados com o bebê visam sua saúde e bem-estar. Por isso, é fundamental que os pais sigam as recomendações médicas e conversem sempre com o pediatra em caso de dúvida. Afinal, se por um lado é normal preocupar-se com quem amamos, por outro é indispensável ter dedicação e cumprir os deveres para garantir uma infância saudável.

*Reportagem publicada no Guia da Mamãe 2011 

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