Doçura nunca é demais

Quando a crise dos 30 chegou para Djalmma Reinalldo, ela suscitou momentos de reflexão sobre a vida e a carreira. Em 2005, era funcionário de uma transportadora e estava descontente com o trabalho. Buscava um novo rumo profissional, uma reviravolta. Até que a irmã lhe mostrou uma revista que trazia receitas de quiche, especialidade da qual sempre gostou. Nas páginas da publicação, um pequeno artigo sobre confeitaria artística despertou sua curiosidade e fez com que se interessasse imediatamente pelo assunto. Em poucos dias, começou a investir no sonho recente e fez o curso que definiu um novo capítulo em sua história profissional, com a especialista Vanir Petter, em Curitiba, PR.

Para compreender a bem-sucedida carreira deste cake designer, é preciso regressar mais alguns anos. Nascido em 1973 no município de Itajaí, no litoral catarinense, onde ainda mora, sempre teve curiosidade por tudo o que se relacionasse à natureza, principalmente durante a infância, quando sonhava em ser veterinário. Na adolescência, o fascínio pelo mar o atraiu para o bodyboard, esporte do qual foi campeão catarinense, em 2004. Porém, o interesse pelos mistérios da culinária permeava sua vida, mais precisamente na cozinha de casa, onde a mãe fazia quitutes, especialmente broas, pelas quais ganhou fama. Os olhares atentos do menino acompanhavam as mãos hábeis de dona Rosa Maria e, aos poucos, a vontade de aprender fez com que se tornasse um ajudante dedicado e criativo.

Os fatos da vida ajudaram Djalmma a construir uma carreira de sucesso, conforme a dedicação e a vontade de aprender e se aprimorar cresciam. Influenciado pelo gosto por todo tipo de arte capaz de despertar seus sentidos, ele próprio se tornou um artista.

Assim como livros, filmes, pinturas e músicas, os bolos também contam histórias. Foi com a cake desegner Tânia Mafra, de Navegantes, SC, que aprendeu a dar muita importância ao que faz. Afinal, o bolo é como um narrador personagem: relata a história e faz parte dela. Pois o que seria de uma comemoração, como aniversário ou casamento, sem aquele item capaz de reunir as pessoas à sua volta?

Para alimentar a criatividade, busca referências e inspirações dentro e fora do mundo da confeitaria: na moda, a sofisticação das grifes Chanel e Valentino; na arquitetura, as construções inovadoras de Antoni Gaudí; nas artes plásticas, as delirantes obras de Salvador Dalí; na alta gastronomia, a confeitaria real de François Vatel e o pioneirismo de Marie-Antoine Carême; na decoração, a elegância do provençal, o qual busca mesclar com outros estilos; na natureza, todas as coisas belas.

Admirador dos bolos artísticos de Margaret Braun, Ron Ben-Israel, Colette Peters, Debbie Brown, Martha Stewart e Alan Dunn, Djalmma desenvolveu a técnica de criação em gotas, que leva um design original aos seus trabalhos. Para ele, uma das principais qualidades de um profissional é ser autêntico, provocando a identificação imediata com um simples olhar.

Sonhador, o cake designer poetiza tudo – e suas criações, representadas nas próximas páginas, estão aí para comprovar. Com senso estético apurado, busca a liberdade de poder criar sem se repetir. Por meio dessa filosofia, com a adição de sabor e texturas, o bolo nasce com a emoção.

O reconhecimento do autor como um artista nato da confeitaria confirmou-se em 2008, quando foi contemplado no concurso MS Trophy’s, o mais importante do gênero no Brasil, na categoria Modelagem, com uma criação em gotas, ficando na segunda colocação em Bolos de Casamento. E como conhecimento é algo que as pessoas devem compartilhar, Djalmma já lecionou no Senac Blumenau, em SC; e na Universidade Vale do Itajaí (Univali), em Balneário Camboriú, SC; na Univille, em Joinville, SC; e na Universidade Sagrado Coração (USC), em Bauru, SP; além de ministrar cursos de curta duração em todo o Brasil e em países como Portugal, Espanha, França e Inglaterra.

O cake designer faz questão de reconhecer e agradecer àqueles que levam inspiração ao seu trabalho, como o colega Gustavo Guttierreez, chef cujas sugestões ajudam a engrandecer as obras de arte comestíveis e a intensificar a busca por novas técnicas e ideias.

 *Perfil publicado no livro Doçura Nunca É Demais (2011), de Djalmma Reinalldo

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