Destino cinematográfico

Aventura, ecoturismo, arte e cultura dialogam neste exuberante país no meio do Pacífico: Nova Zelândia

Texto Lucie Ferreira

Aotearoa (ou “a terra da longa nuvem branca”). Foi assim que os maoris, primeiros habitantes da Nova Zelândia, denominaram-na há cerca de mil anos. Os europeus chegariam às longínquas ilhas ao sul do Oceano Pacífico apenas em 1642, liderados pelo explorador holandês Abel Tasman. Aliás, foi Zeeland, uma província holandesa, que inspirou o nome oficial do país, cuja economia baseia-se principalmente no turismo e na agricultura, com destaque para a criação ovelhas.

Com excelente infra-estrutura, a Nova Zelândia oferece mais de 80 centros de informação ao visitante (i-SITEs), espalhados de norte a sul. Neles, o turista pode tirar dúvidas, comprar pacotes e passagens e reservar acomodações. A simpatia dos neozelandeses – também chamados de kiwis, em referência à pequena ave que simboliza as ilhas –, sempre dispostos a ajudar, é outra característica que impressiona os viajantes. E ainda que o inglês seja idioma oficial, a expressão maori kia ora é bastante comum ao cumprimentar.

Localizado na zona de encontro de duas placas tectônicas (a do Pacífico e a Australiana), o país é formado por duas ilhas principais. A Norte é caracterizada pelas atividades vulcânicas, pelo clima mais quente e por ser a mais populosa, abrigando duas das principais cidades: Auckland e a capital Wellington. Na região, Rotorua é famosa pelos lagos e gêiseres e pela cultura maori onipresente, enquanto Waitomo atrai turistas por suas cavernas impressionantes.

A travessia da ilha Norte para a Sul pode ser feita por via aérea ou com balsa pelo Estreito de Cook, que separa Wellington e Picton. Na Ilha Sul, os Alpes dividem os bucólicos vales verdejantes da região de Canterbury.

Apesar de o principal polo turístico ser Queenstown, favorito dos adeptos do bungee jumping, outros destinos devem ser explorados. Maior cidade do sul e centro econômico de Canterbury, Christchurch funciona como porta de entrada para a ilha, já que muitos visitantes preferem alugar carros ou campervans e abastecê-los com suprimentos antes de seguir para destinos diferentes. Conhecida como Cidade Jardim, também ocupa o posto de “cidade mais inglesa fora da Inglaterra”. A dica é visitá-la durante a primavera e caminhar pelos Botanic Gardens e Hagley Park, o terceiro maior parque do mundo. Outras atrações imperdíveis são o passeio de gôndola pelo rio Avon e o divertido Antarctic Centre, que abriga pinguins-azuis, os menores do mundo.

A cerca de duas horas e meia de Christchurch, Kaikoura é sinônimo de ecoturismo. A vida marinha nessa pequena península entre os Alpes do Sul e o Oceano Pacífico é a principal atração turística. Baleias, golfinhos, focas e aves podem ser vistos nos instrutivos passeios de barco da Whale Watch. Outro pequeno vilarejo indicado para observar esse tipo de fauna é Akaroa, única cidade neozelandesa com raízes francesas. Bela e charmosa, é recomendada para quem deseja descansar e desfrutar a natureza com um mergulho em meio aos golfinhos.

Do mar às montanhas e lagos, mais precisamente no ponto mais alto do país, com 3.754 metros, está Mount Cook. A região do Parque Nacional Mount Cook oferece paisagens de tirar o fôlego, como o Glaciar Tasman, a maior geleira do país com 29 km de extensão. Próximo ao parque, o Lago Tekapo é naturalmente belo por seu azul-turquesa. A cor deriva das partículas de rocha trazidas pela geleira, que ficam em suspensão na água.

Próximo ao lago, uma visita ao Observatório Mount John durante a noite permite uma visão espetacular da abóbada celeste, com direito a estrelas cadentes. Durante o dia, é possível admirar a beleza do Tekapo e dos Alpes do Sul, que emolduram o cenário perfeito.

Cultura, arte e compras
Embora a Nova Zelândia seja um destino turístico mais procurado por conta das belezas naturais, exploradas e promovidas pela trilogia O Senhor dos Anéis e, mais recentemente, O Hobbit, o país oferece ótimas opções ao turista disposto a desmistificar tanto a cultura maori e polinésia quanto a implantada pelos imigrantes europeus. Localizado em Wellington, o Te Papa Tongarewa (“Nosso Lugar”, em maori) é o principal museu neozelandês e um dos maiores museus nacionais do mundo. Com entrada gratuita, impressiona pelo tamanho e pela quantidade de obras e atrações interativas ao longo de 36 mil m². O amplo acervo conta a história das ilhas, desde a formação geológica até a economia agrária, trazendo também obras de arte que reconstituem a herança multicultural do país.

Denominada pelo guia Lonely Planet “a pequena capital mais cool do mundo”, Wellington é identificada como centro cultural da Nova Zelândia. Música clássica, ópera e balé dividem espaço com teatros e galerias de arte moderna. E graças a estúdios e empresas do ramo cinematográfico, como a Weta, a cidade foi apelidada de “Wellywood”. Para os cinéfilos, a Weta Cave é visita obrigatória: o mini museu e loja é dedicado a filmes como Distrito 9, King Kong (2005), As Crônicas de Nárnia, As Aventuras de Tintim e, é claro, O Senhor dos Anéis.

Enquanto Wellington é a “cidade dos ventos”, Auckland é a das velas, oferecendo ampla gama de atividades e passeios náuticos para todos os bolsos. Uma sugestão é embarcar na balsa e descer na exuberante Rangitoto Island, ilha que abriga o maior e mais jovem vulcão da região, adormecido há 600 anos.

A capital econômica e maior cidade do país, com mais de 1,3 milhão de habitantes, é indicada também para quem adora compras e vida noturna. Nos arredores de Queen Street e Parnell é possível encontrar alguns dos melhores restaurantes e bares da cidade, assim como lojas de artesanatos e boutiques de grifes internacionais. Mas ir a Auckland e não visitar a famosa Sky Tower tornaria o passeio incompleto. Com 328 m de altura, é a estrutura independente mais alta do hemisfério sul. Inaugurada em 1997, oferece visão em 360° da cidade, além de servir de base para o sky jump, onde é possível saltar quase 200 metros de altura, e o sky walk, uma volta no exterior da torre com o apoio de cabos.

Quando o assunto é esporte, o rugby está para os neozelandeses assim como o futebol para os brasileiros. Fanáticos pelos All Blacks, como é conhecida a seleção neozelandesa, que veste uniforme negro com o silver fern (samambaia caracterizada pela cor prata na parte inferior das folhagens) estampado no peito, os kiwis foram os anfitriões da Copa Mundial de Rugby de 2011. Seja por efeito da haka, tradicional dança de guerra maori apresentada antes de cada jogo, ou por pura garra, foi nesse ano que conquistaram o festejado bicampeonato, devidamente festejado com alguns pints de cerveja. Afinal, a herança multicultural está enraizada em cada canto das exuberantes ilhas.

*Reportagem publicada na revista Voe (edição 56)

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