Convivência pacífica

Garantir o bem-estar dos animais domésticos e a sobrevivência das plantas requer planejamento e controle

Texto Lucie Ferreira

Ter um belo jardim exige cuidados com manutenção e escolha das espécies ideais para o clima, solo e efeito estético pretendido. Porém, quando se tem animais domésticos, o cuidado deve ser redobrado para que a convivência deles com as plantas seja pacífica. “De maneira geral, variedades que não sejam venenosas nem tenham espinhos podem ser especificadas para uma casa com animais”, observa a paisagista Erly Hooper, de Belo Horizonte, MG.

De acordo com a engenheira agrônoma e paisagista Rosalba Matta-Machado, de Brasília, DF, é preciso saber a raça do cachorro antes de escolher as espécies para o projeto. “Há aqueles que são muito bagunceiros, como labrador e golden retriever. Outros gostam de cavar, como alguns terriers e rotweiller”, observa. Com experiência na criação de cães, ela dá três sugestões: ensinar o cliente a educar desde filhote; ter um espaço separado do jardim; ou criar um paisagismo que não induza o comportamento desordeiro. A profissional aconselha proteger canteiros e escolher plantas mais resistentes, considerando que os animais gostam de se deitar sobre elas.

Das espécies perigosas mais utilizadas em projetos residenciais, Erly destaca o uso constante do buxinho (Buxus semprevirens). “Suas folhas são tóxicas, então, é preciso tomar cuidado e evitá-las. Muito usada no paisagismo de interiores pelo grande poder escultórico, a ripsális (Rhipsalis baccifera) é igualmente venenosa e deve ser especificada para lugares mais altos, nos quais o acesso seja impossível.” A espada-de-são-jorge (Sansevieria trifasciata) também necessita atenção especial, assim como azaleia (Rhododendron simsii) e comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia amoena).

Há ainda espécies espinhosas, como cacto (Cactaceae), que podem machucar os pets, especialmente os olhos. “Cães adultos são mais espertos, por isso é preciso ter atenção com filhotes, educando-os desde cedo: solte-os no jardim apenas sob supervisão”, acrescenta Rosalba.

Protegendo o jardim

Se determinadas plantas são perigosas em locais com presença de animais, por outro lado também é comum algumas espécies caírem nas garras deles e serem prejudicadas. Para evitar estragos no jardim, Erly sugere não inserir as adocicadas, como bromélia (Bromeliaceae), cujo sabor do miolo os atrai. “Colocar borra de café no vaso é outra boa dica: o cheiro forte afasta os gatos. Fazer forração com pedras também é uma alternativa, pois funciona como empecilho ou até mesmo impede que cavem.” Algumas variedades à prova de cães são moreia (Dietes bicolor), liríope (Liriope spicata), bambu (Poaceae), arbustos, como murta (Murraya exotica), e alpínia (Alpinia purpurata). 

Quando o assunto é grama, a esmeralda (Zoysia japonica) é ideal. Popular em projetos residenciais, possui verde intenso e é bastante resistente a pisoteios, porém necessita de sol pleno para se desenvolver. Outra alternativa é a batatais (Paspalum notatum). Muito empregada em áreas de pastagem, tem aspecto rústico e é bastante eficiente para quem tem animais em casa.

O layout do projeto paisagístico também é influenciado. “Caso o cliente faça muita questão de usar plantas que sejam venenosas aos pets, tento encontrar soluções, inclusive no que se refere a layout do espaço, para que possam atender as suas demandas”, nota Erly, que sugere alternativas para a convivência pacífica e harmoniosa entre cães e plantas.

Rosalba exemplifica com um projeto que realizou, no qual delimitou o perímetro da casa com cerca dupla, transformada em corredor para cachorros, que podem circular e fazer guarda sem se aproximar do jardim.

Cercas nas laterais do terreno também restringem o acesso, principalmente à noite, período no qual alguns animais acabam bagunçando. “Eles devem ser ensinados a se comportar desde pequenos. Muitas vezes, não se consegue tirar o hábito de cavar: quando o cão está entediado, acaba fazendo isso.” Levá-lo para passear e oferecer brinquedos que ajudem a distraí-lo são algumas dicas para tranquilizá-lo e manter a área verde intacta.

*Reportagem publicada na revista Paisagismo & Jardinagem nº 121 (2013)

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